O turismo está ganhando uma importância cada vez maior nos planos econômicos da China.
Depois de décadas em que o país se tornou mundialmente conhecido por sua indústria, infraestrutura e avanços tecnológicos, o governo chinês estabeleceu agora outro objetivo ambicioso: transformar a China em uma das grandes potências mundiais do turismo.
O plano para o período de 2026 a 2030 prevê ampliar tanto as viagens realizadas pelos próprios chineses quanto a chegada de visitantes estrangeiros.
E os números ajudam a mostrar a dimensão dessa estratégia.
Até 2030, a China pretende alcançar 190 milhões de visitas internacionais por ano e superar US$ 150 bilhões anuais em gastos realizados por visitantes estrangeiros.
Ao mesmo tempo, uma projeção do Morgan Stanley estima que as receitas relacionadas a viagens e turismo na China, incluindo turismo doméstico, internacional e viagens de negócios, poderão alcançar aproximadamente US$ 1,8 trilhão em 2030.
Mas o projeto chinês vai além de simplesmente aumentar o número de turistas.
A intenção é tornar mais fácil entrar no país, circular por suas cidades, realizar pagamentos e conhecer uma China que vai muito além de atrações mundialmente famosas como a Grande Muralha e a Cidade Proibida.
Turismo na China já movimenta números gigantescos
Muito antes das novas metas para 2030, o turismo doméstico chinês já havia alcançado uma escala difícil de encontrar em qualquer outro país.
Em 2025, os moradores da China realizaram aproximadamente 6,52 bilhões de viagens domésticas, crescimento de 16,2% em relação ao ano anterior.
Os gastos nessas viagens chegaram a 6,3 trilhões de yuans.
O turismo internacional também apresentou forte recuperação. Em 2025, a China registrou aproximadamente 154,5 milhões de visitas vindas do exterior, considerando estrangeiros e visitantes de Hong Kong, Macau e Taiwan.
Somente entre os turistas estrangeiros foram aproximadamente 35,2 milhões de entradas, crescimento de mais de 30% em relação ao ano anterior.
Turismo na China em números
2025
6,52 bilhões de viagens domésticas
6,3 trilhões de yuans em gastos
154,5 milhões de visitas vindas do exterior
2030 — metas
8,3 bilhões de viagens domésticas
7,7 trilhões de yuans em gastos
190 milhões de visitas internacionais

Por que a China está apostando tanto no turismo?
Há uma razão econômica importante por trás da estratégia.
O turismo estimula uma extensa cadeia de atividades: hotéis, restaurantes, transportes, comércio, entretenimento, atrações culturais e serviços.
Para a China, portanto, incentivar seus habitantes a viajar também é uma maneira de estimular o consumo dentro do próprio país.
A estratégia aparece no 15º Plano Quinquenal chinês, que estabelece o período de 2026 a 2030 e prevê ampliar o consumo relacionado a cultura, esportes e turismo.
Entre as áreas mencionadas estão turismo rural, turismo de saúde e bem-estar, turismo industrial, cruzeiros, campismo e novas experiências ligadas à cultura e ao entretenimento.
Há ainda outro componente: o visitante estrangeiro.
Quando alguém de outro país visita Beijing, Xangai, Xi’an, Chengdu ou Guilin, gasta com hospedagem, alimentação, transporte, atrações e compras dentro da economia chinesa.
Por isso, aumentar o turismo internacional também significa trazer novos recursos para o país.
Uma indústria que pode chegar a US$ 1,8 trilhão
O potencial econômico chama atenção.
Segundo projeção do Morgan Stanley divulgada pelo Wall Street Journal, as receitas relacionadas a viagens e turismo na China podem chegar a aproximadamente US$ 1,8 trilhão em 2030.
A estimativa considera turismo doméstico e internacional e também viagens de negócios.
Caso a projeção se concretize, o setor poderá representar cerca de 6,7% do Produto Interno Bruto chinês em 2030, contra 4,8% em 2024.
Isso ajuda a entender por que o turismo deixou de ser visto apenas como uma atividade de lazer e passou a ocupar uma posição estratégica nos planos econômicos do país.

China quer facilitar a vida dos turistas estrangeiros
Atrair turistas internacionais exige mais do que possuir bons destinos.
A experiência de quem chega ao país também precisa ser simples.
Por isso, uma parte importante do plano chinês está relacionada à redução das dificuldades encontradas por visitantes estrangeiros.
Mais países com entrada sem visto
A expansão das políticas de isenção de visto tornou-se uma das principais ferramentas utilizadas pela China para estimular o turismo internacional.
O país ampliou nos últimos anos tanto os acordos de entrada sem visto quanto as possibilidades de trânsito temporário sem visto para passageiros de determinadas nacionalidades.
O Brasil está entre os países beneficiados pela ampliação dessa política. Desde junho de 2025, brasileiros podem entrar na China sem visto para estadias de até 30 dias, em viagens de turismo, negócios, visitas a familiares e amigos, intercâmbios e trânsito. A medida, posteriormente prorrogada até 31 de dezembro de 2026, reduz uma das principais barreiras burocráticas para o turista brasileiro e faz parte da estratégia chinesa de facilitar a chegada de visitantes estrangeiros.
A intenção declarada no novo plano é continuar ampliando essas facilidades.
Pagamentos, transporte e internet
Outra prioridade é tornar serviços cotidianos mais acessíveis aos estrangeiros.
O planejamento prevê melhorias em áreas como pagamentos, transporte, telecomunicações, hospedagem e procedimentos de reembolso de impostos.
Também estão previstos mais serviços multilíngues, capacitação de guias em idiomas estrangeiros e utilização de equipamentos de tradução baseados em inteligência artificial
Mais conexões internacionais
A China também pretende ampliar as conexões aéreas e ferroviárias internacionais.
A lógica é simples: quanto mais fácil for chegar ao país e circular por ele, maior tende a ser sua capacidade de competir com outros grandes destinos turísticos mundiais.

Da Grande Muralha às cidades futuristas: a diversidade como vantagem
Poucos países conseguem reunir experiências tão diferentes dentro de suas próprias fronteiras.
Um visitante pode conhecer monumentos construídos há séculos, visitar cidades históricas, experimentar cozinhas regionais, atravessar o país em trens de alta velocidade e encontrar algumas das áreas urbanas mais modernas do mundo.
Beijing reúne atrações como a Cidade Proibida, o Templo do Céu e trechos da Grande Muralha.
Xi’an é conhecida pelo Exército de Terracota e por sua importância histórica.
Xangai oferece uma experiência completamente diferente, marcada pela combinação entre arquitetura histórica e uma paisagem urbana futurista.
Chengdu tornou-se mundialmente associada aos pandas gigantes e também possui uma das culturas gastronômicas mais conhecidas do país.
Guilin e Yangshuo, por sua vez, revelam uma China de rios, vilarejos e impressionantes formações montanhosas.
E destinos como Zhangjiajie chamam atenção pelas enormes formações rochosas que parecem desafiar a paisagem.
Essa diversidade permite que a China ofereça muito mais do que um único roteiro turístico.

O turista também está procurando uma China menos conhecida
Existe ainda uma mudança interessante acontecendo no perfil das viagens.
A experiência turística na China começa a ultrapassar os tradicionais cartões-postais.
Mercados, bairros residenciais, gastronomia local, vilarejos, artesanato, fábricas, tecnologia e até viagens nos famosos trens de alta velocidade chineses começam a integrar roteiros procurados por estrangeiros.
O próprio planejamento para os próximos anos incentiva modalidades como turismo rural, industrial, cultural, educacional e de bem-estar.
Essa tendência pode favorecer regiões que tradicionalmente recebiam muito menos visitantes estrangeiros do que Beijing, Xangai ou Xi’an.
E pode revelar ao mundo uma China bastante diferente daquela normalmente vista pelas telas.
Turismo também é uma forma de apresentar a China ao mundo
A estratégia possui ainda uma dimensão que não é apenas econômica.
Receber mais estrangeiros significa permitir que milhões de pessoas tenham contato direto com as cidades, a infraestrutura, a gastronomia, a cultura e o cotidiano chinês.
O próprio plano de turismo menciona o papel do setor na apresentação da imagem do país e na ampliação dos intercâmbios culturais.
Para uma China que busca aumentar sua presença internacional, cada visitante também pode se transformar em alguém que retorna para casa levando sua própria percepção sobre o país.
Nesse sentido, turismo, economia e imagem internacional acabam se encontrando.

O que esperar do turismo na China até 2030?
As metas estabelecidas são ambiciosas.
A China pretende passar dos aproximadamente 154,5 milhões de registros de visitantes vindos do exterior em 2025 para 190 milhões em 2030.
Dentro do país, a meta é alcançar 8,3 bilhões de viagens domésticas e 7,7 trilhões de yuans em gastos turísticos anuais.
Ao mesmo tempo, novos destinos, infraestrutura, tecnologia e políticas de facilitação de entrada devem tornar viajar pela China progressivamente mais simples para estrangeiros.
Se essas metas serão integralmente alcançadas ainda dependerá do desempenho da economia mundial, da conectividade aérea, das relações internacionais e da capacidade do setor turístico chinês de se adaptar às expectativas de visitantes de diferentes países.
Mas uma coisa já está clara: nos próximos anos, a China quer ser conhecida não apenas como uma potência industrial e tecnológica.
Quer também ocupar um espaço cada vez maior no mapa do turismo mundial.
Fontes consultadas
- Ministério da Cultura e Turismo da China — Plano para a construção de uma potência turística no 15º Plano Quinquenal (2026–2030)
- Governo da China / Xinhua — China estabelece meta de 190 milhões de visitas internacionais até 2030
- National Bureau of Statistics of China — Statistical Communiqué on the 2025 National Economic and Social Developmen
- Embaixada da China no Brasil — Extensão da política de isenção de visto para brasileiros
- State Taxation Administration of China — Nova política de tax refund para visitantes estrangeiros


